quarta-feira, 31 de maio de 2017

Fotos de Maio/2017











As ameixas que curam

Sonia Hirsch

De origem japonesa, a ameixa umeboshi cura de gripes a ressaca e aumenta a resistência. 
A arte de curar é tão antiga quanto a vida, e alguns remédios ancestrais podem ser o máximo quando você procura soluções novas para problemas corriqueiros. Sem esquecer que dos corriqueiros é que nascem os graves. Por exemplo, a umeboshi: uma ameixa ácida e salgada que os japoneses usam quase todos os dias para prevenir ou curar. Dor de cabeça, indisposição, gases, enjôo, indigestão, ressaca, cansaço, gripe?

Ameixa pra dentro, dissolvendo devagar na boca ou desmanchando em água quente ou banchá: sabor instigante, efeito rápido. Ume é o nome da ameixinha, que ao natural parece uma azeitona gorda, verde, tão ácida que não dá para comer ao natural. Boshi quer dizer que ela virou conserva depois de passar um ano e três meses amadurecendo com sal e folhas de shissô.

Mas tanto tempo assim?, você se espanta. Pois é, tempo indispensável para o sal e o ácido alcançarem o equilíbrio perfeito: nada mais é salgado, nada mais é ácido, e o resultado é não só saboroso como anti-séptico, bactericida, antiviral, antioxidante, desintoxicante, energizante e regulador do equilíbrio ácido/alcalino, para não dizer tudo. Merece lugar de honra na farmácia caseira e é a melhor companheira de viagens: absolve os pecados da boca e desinfeta até água contaminada. Você a encontra na maioria das lojas japonesas e de produtos naturais, e não é cara.

Mas muito mais interessante é prepará-la em casa. Fácil, custa menos, você controla pessoalmente o ano e pouco de maturação e ainda desfruta do caldo que ela solta, chamado vinagre de umeboshi, muito bom tanto em tempero como para neutralizar rapidamente problemas de estômago e intestino (uma colher de sopa numa xícara de água bem quente, beber aos golinhos). Seus amigos adorariam ganhar umeboshi de boa procedência, e ao longo dos anos você poderia colecionar ameixas de várias safras e origens! Achou graça? Mas as conservas em salmoura são uma prova de que já éramos inteligentes milênios atrás... Tudo isso, juro, com um mínimo de trabalho. Não se deixe impressionar pela demora (o tempo é a coisa mais relativa do mundo). E a paciência, afinal, existe para quê?

Como fazer? Primeiro passo: encomendar ao verdureiro japonês 2 kg ou mais de umes verdes, que aparecem no mercado em alguma altura de agosto ou setembro e depois somem. Conseguiu? Estão firmes e polpudas? Lave delicadamente, seque bem uma por uma, jogue fora as imperfeitas. Aí, com palito de dentes, tire de cada ameixa a tampinha mínima, que fica na base do cabo. Segundo passo: calcular a quantidade de sal marinho, que deve corresponder a 15% do peso das ameixas. Por exemplo: 2 kg de ameixa, 300 g de sal. Terceiro passo: montar uma prensa, arranjando um prato que sirva de tampa interna para uma vasilha bem funda de louça, barro, pedra, vidro, pirex ou mesmo plástico. Nela você coloca as ameixas e o sal sem deixar que ultrapassem a metade da altura da vasilha. Por cima o prato, que ao mesmo tempo tampa e pressiona as ameixas, graças a um peso que seja o dobro do delas (2 kg de ameixa, 4 kg de peso). Cobrindo tudo, uma toalha leve de algodão para proteger de poeira e intrusos.

O que se passa lá dentro é que o peso força a ameixa a soltar seu caldo, que dissolve o sal, que por sua vez impede a presença de bactérias indesejáveis na área. O balé bioquímico fica ainda melhor um mês depois, quando o verdureiro japonês apresenta as folhas de shissô, cheias de aroma e sabor, com sua cor avermelhada e poder incomparável de conservar alimentos. Também elas são lavadas, secadas, polvilhadas com (pouco) sal, amassadas nas mãos e misturadas à conserva, que a esta altura pode sair do peso e passar para um vidrão de boca larga. É nesse vidro, tampado e bem guardado no escurinho do armário, que a umeboshi vai esperar quinze meses antes de nos tornar felizes para sempre. Podemos até fazer uma nova conserva enquanto a primeira não fica pronta. Quanto mais antiga, melhor. Depois de três anos, pode ser consumida até por hipertensos. Cuidado só para não abusar, principalmente se não souber a idade da umeboshi: em excesso, faz mal aos rins e ofende o estômago.

A jornalista e pesquisadora Sonia Hirsch é autora de livros sobre culinária natural, alimentação e saúde.

Umeboshi (梅干) é uma especialidade da culinária japonesa que consiste em umê em conserva, por isso um tipo de tsukemono. É caracterizado pelo seu sabor forte muito ácido e salgado. O umê é originário da China e é normalmente chamado de ameixa apesar de ser um parente mais próximo do damasco.
É também servido nos bentō, acompanhado de arroz por causa de seu sabor muito forte. A concentração de ácido cítrico é tão elevada que é sabido que se servido diariamente numa mesma partição de um bentō de alumínio pode provocar a corrosão dele.
O folclore japonês atribui propriedades medicinais ao umeboshi, que é dado como remédio para gripes e resfriados. É também dito como alimento saudável apesar de ser muito salgado.
A forma mais tradicional para produzir umeboshi é manter os umês colhidos curtindo em salmoura e em seguida secá-los ao sol. Atualmente o umeboshi é produzido como uma conserva utilizando menos sal num processo semelhante a produção de picles, podendo receber folhas de perilla (conhecido também como shissô) que agem como corante.


Mais de 100 milhões sofrerão de Alzheimer até 205

Saúde - Domingo, 10 de junho de 2007, 17h25 Atualizada às 17h35

Agencia EFE

 

Mais de 100 milhões de pessoas sofrerão do mal de Alzheimer em todo o mundo até 2050, quase quatro vezes os atuais 26 milhões, segundo um novo relatório divulgado hoje em uma conferência sobre a doença.

 

O estudo, liderado pelo pesquisador Ron Brookmeyer, da Universidade Johns Hopkins, foi divulgado hoje em Washington e afirma que, no ritmo atual, uma em cada 85 pessoas no mundo sofrerá da doença até 2050. Mais de 40% dos casos estarão em fase avançada, o que fará com que os doentes precisem de um grande atendimento.

O Alzheimer é a manifestação mais comum da demência e se caracteriza pela perda progressiva da memória e outras faculdades mentais, levando à morte.
Brookmeyer disse, em comunicado, que "uma epidemia global de Alzheimer" se aproxima. Ele destacou que "mesmo avanços modestos na prevenção, ou retardar o avanço da doença, podem ter um impacto gigantesco sobre a saúde pública mundial".

Nesse sentido, o relatório afirma que o adiamento da aparição da doença em um ano reduziria os casos de Alzheimer em 12 milhões até 2050. Retardar tanto o começo do mal quanto sua progressão em dois anos reduziria o número de doentes em 18 milhões. O estudo destaca que 16 milhões dos casos estariam em fase avançada, exigindo cuidados intensivos.
Diante disso, os pesquisadores que se reúnem neste fim de semana na segunda Conferência Internacional sobre a Prevenção da Demência insistem na necessidade de investir no desenvolvimento de medicamentos para tratar a doença.

"O número de pessoas atingidas pelo mal de Alzheimer está aumentando em níveis alarmantemente altos, e os crescentes custos terão um efeito devastador sobre as economias globais, os sistemas de saúde e as famílias", disse William Thies, vice-presidente da Associação de Alzheimer dos EUA.

Thies convidou os EUA a transformarem o Alzheimer em "uma prioridade nacional antes que seja tarde demais". Para ele, "a ausência de medicamentos efetivos para alterar o curso da doença somado ao envelhecimento da população transforma o Alzheimer na crise da saúde do século XXI".
No entanto, segundo ele, existem motivos para a esperança, ao lembrar que há vários remédios em testes adiantados que prometem "conter ou deter totalmente o avanço da doença".

"Isso, combinado com as melhoras nos sistemas de diagnóstico, tem o potencial de mudar o panorama do Alzheimer", insistiu Thies; Ele disse que, para que essa promessa se torne realidade, é necessário um maior financiamento.
As projeções divulgadas hoje afirmam que o maior aumento na incidência da doença será na Ásia, o continente mais povoado, onde já são registrados quase metade do total de casos (cerca de 12,6 milhões). Até 2050, 62,8 milhões de asiáticos devem sofrer de Alzheimer, do total de 106 milhões estimados para a escala global.

Na Europa, o número subirá para 16,5 milhões, contra os pouco mais de 7 milhões atuais. Na América Latina e no Caribe o número passará de 2 milhões para 10,8 milhões. Na África, o número passará de 1,3 milhão para 6,3 milhões, e na Oceania, de 200 mil para 800 mil.
A doença recebeu seu nome em homenagem ao médico alemão Alois Alzheimer, que a identificou em novembro de 1906. Mais de 100 anos depois, o mal de Alzheimer é ainda não tem cura.


A acumulação excessiva no cérebro de proteínas beta (em forma de placas beta-amilóide) e tau (em forma da letra grega tau) representa a manifestação física do Alzheimer. Essa acumulação faz com que a conexão entre as células se perca e que muitas delas morram.